quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Shoot Me



Gabriela sentiu o vento no rosto e continuou a andar pelas ruas desertas da cidade, o clima não contribuía com seus pensamentos, no mesmo momento que tentava esquecê-los ela ainda insistia em pensar ainda mais. Um pingo no rosto, a chuva começara. O passo aumenta, e no ritmo frenético da caminhada, ela se esguia de teorias confusas.
Encontra um conhecido, sorri, abaixa a cabeça, coloca o fone de ouvido. A cantora continua a cantar com uma voz lembrando-se de um bordel, sem saber por que disso, ela sorri de novo.
Chega em casa. Olha os papéis em cima da mesa, lembra-se de uma briga com a atendente do banco, sorri pela terceira vez no dia. Deita na cama e sorri para o namorado que está em seu lado. Ele se espreguiça e olha pra ela assustado.
-Onde você foi tão cedo?
Ela deita em seu lado e encara os olhos que ela gosta. Respira fundo e diz com sinceridade:
-Precisei matar uma pessoa, você vai continuar me amando?
Ela fica trêmula, começa a pensar na besteira que fez. Provavelmente ela seria presa, iria para uma prisão feminina, dividir a cela com uma mulher vinte anos mais velha e lésbica chamada Ranna, as duas poderiam ter uma amizade feliz, fariam tatuagens uma na outra e se protegeriam de outras mulheres, seriam uma boa dupla. O namorado suspirou, ela abaixou os olhos pensando na amizade com sua colega de cela.
- O que você fez com o corpo?
Ele sorriu.
-Joguei no mar, ninguém vai sentir falta.
-Então tudo bem, agora vem aqui que eu senti saudades suas.
E ela o abraçou, pensando que a suposta Ranna poderia ser legal.