segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dançado




 Estavam dançando no salão vazio, sem música alguma. Ouvia-se apenas a respiração ofegante, o atrito de dois corpos rígidos e os sapatos se movendo no chão. O som de fora não atrapalhava, o recinto ficara distante naquele momento de todo o mundo lá fora. Só existiam os dois no instante.

 A dança foi intensa, braço ia para um lado enquanto o outro se ocupara com um diferente movimento, os pés seguiam um ritmo, ora se encontraram fazendo parte da coreografia dos corpos suados. Mãos iam de encontro e separavam em poucos segundos. Boca se encontrava ao pescoço, a pele arrepiava.
   
 De um lado era um corpo gasto pelo tempo, provindo de outras danças corriqueiras, de danças cruciais e sem sentido. Do outro o corpo mais belo e intocável, porém mais dançante impossível. Era simples conduzi-lo, parecia ser feito próprio para os movimentos. A carne era macia, os músculos se entrelaçavam com a batida do som.
                      
             Poucos minutos. Apenas uma dança. Os corpos se juntaram, formaram um só. Atingiram a felicidade mútua. Os olhos se encontraram. A música ainda tocara, em cada cabeça. Corpos se separam. Mágicas acabam. Danças como estas são raras, mas acontecem.