terça-feira, 9 de julho de 2013

Born to Die

Lana Del Rey
Born to Die (2012)

Estava ela do lado esquerdo, naquele chevette amarelo, com os pés no painel, olhando para o lado da janela.
“você sabe por quê estamos aqui não é?”
“sei sim, sempre soube, desde o início.”
Pararam o carro, era um fim de tarde, o céu avermelhado fazia a pele dos rostos ficar morna, mas o vento, entrando pelas janelas e balançando os cabelos, causava arrepios. Ela, uma moça que aparentava ter uns 28 anos, com os cabelos ondulados e vermelhos, colocou a cabeça pra fora e chamou a moça que estava na estrada.
“Entra aí garota, estamos indo pro mesmo lugar que você”
Uma jovem, usando um vestido florido verde limão entrou e sentou no banco de trás. Cumprimentou os dois. O motorista, um homem de 30 anos, com a barba por fazer e usando uma jaqueta de couro azul escuro olhou para trás.
O olho verde da menina fitou o castanho do motorista, ela amedrontada abriu a boca. Mas o homem foi mais rápido.
“Já sei pra onde você quer ir, logo logo você chega docinho.”
A mulher ao lado o olhou com desaprovação, ele sorriu e pegou um cigarro. Acendeu no cigarro dela. Ligou o carro e seguiu a reta infinita.
“Sabe, nunca imaginei encontrar alguém tão nova por aqui...”
“Moço, pode parar aqui, eu posso ficar...”
“Menina, fique quieta, estamos conhecendo você. Não sabe que quando se pega uma carona você deve comunicar com as pessoas. Conversa com a gente que nada vai acontecer. Eu prometo, me chamo Bu.”
“E eu sou o Doc.”
“Mel”
“Ok Mel, sabe pra onde você vai?”
“É simples não é? É só pegar a reta que eu chego em algum lugar não é? Como vocês sabem pra onde vão?”
“Nós não vamos pra lugar nenhum docinho”
Bu olhou para ele intrigada, balançou a cabeça e olhou para frente. Suspirou. O sol desaparecia, a estrada continuava na mesma reta, e Mel começou a chorar. Repetiu frases sem sentido como “meu deus, por quê isso?” “não pode ser...” “tão nova...”. Doc jogou o cigarro pela janela, olhou para Bu, e encostou o carro.
“Desce menina, seu lugar chegou.”
Bu não entendeu, tentou sair do carro para finalmente esticar as pernas, mas Mel já estava de fora, já tinha pulado do chevette e corria pelo campo verde que estava a sua frente. A porta não abriu, e o carro já estava em movimento. Ela berrou, olhou assustada para o lado e Doc estava rindo.
“Você nunca vai entender não é, Boneca”
“Por quê....?” Seus olhos lacrimejavam, sentia um vento forte, o carro estava em velocidade, as narinas ardiam e os cabelos esvoaçavam. “A gente sempre vai levar os mortos pro paraíso? Quando vamos sair desse lugar?”
“Nem sempre pro paraíso.”
“Eu quero sair Doc, eu quero voltar a andar, eu quero sentir o chão, eu quero correr como aquela garota, por que nós estamos aqui?”
“É muito simples Boneca, nosso inferno é aqui.”
Ela abaixou a cabeça. Reparou nos sapatos e nas pernas, a poltrona era confortável. Suspirou, olhou para frente e para o céu, já escuro.
“Não é muito diferente do que antes né?”