terça-feira, 29 de maio de 2012

O precipício voltou

Imagine que você está a beira do precipício de novo
Porém desta vez, você não tem nenhuma venda nos olhos. Consegue enxergar, você vê que está quase morrendo, percebe ainda mais o horror de sua situação.
Pensa em fugir para trás. Não tem como, só há caminho para frente. Se voltar, você poderá se machucar muito mais.
Então, o que você faria? Claro, pode tentar pular e cair no mar, desviar das pedras, ou até mesmo voar. Ok, esqueça a parte de voar. Ninguém voa facilmente, ninguém é tão extraordinário assim. Conheço pessoas extraordinariamente suficientes para voar porém não conseguem. É mais do que isso.
Consegue alguma solução? A questão principal é a seguinte: A coisa ficou pior quando se deu conta que estava em um precipício. Eis a grande merda do negócio, você pode se dar bem se não saber de mais. Os grandes ignorantes foram sábios também, por quê precisamos então estudar? Qual o ponto? Ética? Moral? Tudo bem, me fale do dia que você fingiu que a velhinha no banco não existia e não deixou ela passar na sua frente na fila.
Pense o quanto você mudou depois que passou a estudar e querer aprender, pense em seus princípios. Mudaram? Os meus sim, na verdade, nem sei se tenho mais.   

domingo, 20 de maio de 2012

Espelho



Eis aqui eu de frente para o branco do Word, esperando as palavras se juntarem e formarem um espelho. Acabou essa fase, lá se foram textos bons. Acabou. Sinto que um dia o blog de três/quatro anos como meu baú de histórias e lamentações irá sumir do meio cibernético e ficará apenas em minha cabeça.
Saudade de dois anos atrás em que as crises existenciais não vinham com doses de lágrimas e súbitas vontades imensas de sumir do mundo, e não apenas apagar o blog. O quão dói lembrar-se de uma época que seu sofrimento era calado, porém por motivos bobos como um amor não correspondido? Dois anos. Sim, dois anos apenas, e a mudança ocorreu brutalmente.
O ser muda? Pergunto a você, o que acha dessa questão, a essência muda? Digo, se você muda suas ações, sua maneira de pensar, a sua essência muda? Uma pessoa que fez coisas más ela é definitivamente uma pessoa má? E se ela for boa e se arrepende do que fez? Um ou dois erros não mudam uma pessoa. Eu acredito que alguém ou todo mundo é bom. Não que eu seja felizinho idiota de acreditar em tudo que me dizem, nada disso, ou quase. Muito menos sou de pé no chão, de idiotice eu tenho um pouco.
 Você vê que a situação é séria quando tem vergonha de olhar no espelho, não por ter feito algo de ruim, mas por não encontrar mais força de vontade em continuar uma mentira ou sem ter inspiração para criar as histórias que antes era passatempo preferido.
E a lembrança do sorriso do garoto mais novo me alegra nas noites frias, as noites passadas ao lado do “cabeludinho” jogando videogame e ouvindo músicas com o antigo MP4, as brincadeiras nas férias, as espadinhas de luz, as histórias criadas antes de dormir e a risada, ah sim, a risada é o que me conforta, ela ainda existe, escuto por telefone e consigo imaginar os dentinhos tortos aparecendo no rosto. Saudades imensas do pequenininho, assim como do sorriso da mulher que eu amo junto ao homem que me conforta com um abraço sincero. 
E quanto as palavras se unindo e formando um espelho...
Posso dizer com toda certeza: É verdade. 

sábado, 12 de maio de 2012

Interferência



Seria tão estranho se não levássemos conosco nossas memórias e lembranças, se não as carregássemos dentro de si e elas não fizessem o que fazem com tudo que fazemos. Tiramos uma foto para a eternidade, colocamos o presente no passado, o segundo vai embora, mas a imagem fica. E também retratamos com o olhar, guardamos no cérebro aquilo que queremos e deixamos de lado, mesmo que as coisas ruins permaneçam, depende de cada um guardar as boas, é opcional.
Interessante é perceber as memórias e lembranças no trabalho artístico de cada um, no modo de pensar, nas atitudes e no jeito que ela sorri. Claro, o ser humano é um resultado de muitos fatores, tudo ao seu redor o modifica, mas claro não vamos entrar na discussão de sua essência. Se o ser nasce torto ele permanecerá torto?
Em uma de minhas caminhadas, sozinho pela madrugada comecei a pensar no quanto o universo interfere naquilo que escrevo. Assim como Almodóvar não tirou ideias do vento para escrever seus filmes, eu também não sei como, mas os conflitos familiares, as histórias contadas a mim, os fatos ocorridos, as memórias, se misturam em um caldeirão enorme e dali tiro ideias para escrever ou até mesmo criar uma pequena história.
E pelo amor de Deus, se você acha ainda que tudo que eu escrevo é alguma indireta ou algo relativo, leitor, não é assim. Gosto de criar histórias, mas não são baseadas em mim. Posso criar algo parecido com sua vida, mas não quer dizer que estou escrevendo pra você. Meu blog é pessoal, pela milésima vez, eu escrevo o que eu quiser. 

domingo, 6 de maio de 2012

Lorena e Jairo

Jairo foi ao banheiro. A festa estava horrível, era em uma casa próxima a sua, as pessoas estavam mais bêbadas que o normal. Mas tinha alguém interessante, nada estava importando, nem o cara que colocava músicas da Florence todo o momento. Passou uma hora e meia da festa conversando com uma garota com um cabelo estonteante e os olhos castanhos mais lindos que já tinha visto. Jairo não parou de pensar na moça nem quando um homem ao seu lado no banheiro caiu de cara no chão sujo.
Voltou ao jardim e duas garotas estavam se discutindo, uma era a morena dos olhos castanhos. Escondeu-se para ver e ouvir. Depois que se agachou atrás do arbusto se perguntou por que estaria fazendo isto, ignorou e tentou escutar o que diziam:
-Ok, vai me dizer que você é a mãe dele?- Olhos castanhos dizendo com ar de sarcasmo.
-Não, eu sou amiga dele há anos, o vi fazer coisas idiotas por garotas idiotas como você, estou te avisando ele NÃO É O SEU TIPO!- Dizia uma garota em bom tom, ela era baixinha de cabelo curto loiro. Era Lorena, melhor amiga de Jairo há anos.
-Você conhece meu tipo muito bem então querida.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Uma ruiva


A jovem deitou na grama verde em frente a casa dos avós, não se importou de sujar o vestido que a mãe mandou fazer para cerimônia do dia. Ficou olhando para o céu, queria pegar seu mp4, porém deixou em casa, há muitos quilômetros dali. O dia estava escuro, não havia sol, ela pensou em todos os deveres da faculdade e esqueceu quando um par de sapatos apareceu do lado de seu rosto.
Um homem aparentando ter 40 anos abaixou-se e olhou para os olhos cor de mel da moça. Ela ficou sem graça ao ver os olhos verdes do homem a encarando. Abaixou a cabeça deixando os cabelos ruivos tamparem o rosto branco como uma folha de papel. O homem sentou ao seu lado e acendeu um cigarro.
Ele usava um colete de lã vermelho por cima de uma camisa social azul clara, usava uma calça bege e os sapatos pretos. A fumaça do cigarro foi ao seu nariz e a fez espirrar, ele apagou na grama e pediu desculpas. Ouviam-se as vozes de dentro da casa, a comemoração de bodas de ouro dos avós dela começara. Ele pegou em seu braço e ela o encarou. Por um momento ela sentiu, dentro dos olhos do homem, que não deveria sentir vergonha de nada, aquele era o momento de mostrar que era uma mulher enfrentando as consequências de suas atitudes.
-Não precisamos voltar lá dentro se quiser. - Disse calmamente o homem ajeitando a coluna e fazendo uma cara de dor. Ela riu.


Os dois levantaram, ficaram um de frente para o outro. No fundo, o homem queria que tudo acabasse entre os dois, talvez ela não fosse para ele, os dois não combinava muito, a família dela não ficou feliz com o relacionamento e ela gostava de Nirvana. Não que ele não gostasse da banda, havia passado pela época do grunge dos anos 90, porém odiava, sim ele odiava, o culto que todos tinham com Kurt Cobain. Mas no fim ela era uma boa namorada.
Os dois se conheceram em uma lanchonete na faculdade em que ela cursava e ele ensinava algumas matérias na área de humanas. Ela era estudante de nutrição. Ele tomava seu café diário e percebeu que ela sempre aparecia todas as quintas.  Com o tempo, duas semanas ou menos, ele percebeu que os olhares eram recíprocos. Certo dia pensou em puxar assunto, mas não sabia por onde começar mas ela foi primeiro.
-Você toma café com o estômago vazio?- Ele só conseguiu pensar: “Espera, porque ela está falando comigo? Porquê quer saber do meu estômago?”

Era uma pesquisa, mas posteriormente ela disse que queria ter conversado com o moço simpático desde o dia que ele entornou café nas calças, ele não lembrava deste momento.
E foi assim. Trocaram telefones e em um mês já dividiam as pizzas dos domingos. Agora estavam ali, cada um pensando no que fazer depois do que passaram na cerimônia da família dela. Ela pegou nas mãos do homem, viu a marca da aliança, mais um motivo. Abraçou-o.
Sentiu a barba roçar seu rosto, acariciou os cabelos macios, apertou mais ainda o abraço. Era único aquele momento, se separaram e os olhos se encararam. Ele pronunciou as seguintes palavras:
-Você me fez sentir jovem.
-Eu acho você jovem.
Os lábios se tocaram em um ritmo frenético, os corpos não conseguiam se afastar, os dois perceberam. Não ligaram para a festa que acontecia dentro da casa e muito menos para alguns familiares vendo o beijo apaixonado dos dois, apenas deram a mão e saíram dali, mas quando saíram da casa deram de cara com uma rua cinzenta. Ela soltou a mão e abaixou a cabeça.  Olhou para dentro da casa e suspirou. Ele entendeu, deu um beijo e a abraçou. Ela abaixou o olhar, sempre foi assim, não gostava de se sentir presa.

Entrou dentro da casa e sorriu ao ver a tia solteira de 45 anos bêbada falando que homem algum não presta. Apesar da semelhança com a tia, ela ainda era ruiva e com o corpo em forma. Pegou uma taça de vinho e ergueu em nome dos avós.

domingo, 22 de abril de 2012

Sinuca


As horas podem passar o mais rápido o possível e mesmo assim você tem a vontade de mudar sua vida, seu jeito de ser, tudo que te cerca. Assim de um dia pro outro, ou você só quer que seja diferente, pelo menos desta vez. E pior mesmo quando você quer se livrar do passado, das manias, do que as pessoas deixaram em você, ah, isso sim é o pior.
Uma pessoa passa na sua vida e lógico que quando ela sair, você não será a mesma de antes. Falo por experiências com amigos e parentes próximos que se foram. Não é querer esquecer, mas também por um momento, não é muito bom ficar lembrando. Alguma coisa ali tem que mudar, algo acrescenta ou some. Talvez seja uma maneira de não sentir saudades, de ter o sentimento de ter que carregar um pouco de cada um dentro de si. Talvez.
Ou você simplesmente carrega, o sentimento fica guardado e você quer fugir, não quer aceitá-lo. O passado a gente não esquece, é fato que mesmo que a gente suprime todas as más recordações e os momentos ruins, um dia eles voltarão. Acho que nem uma terapia forte daria conta disso, por isso eis a aceitação. É necessário aceitar o passado.
E mesmo que você aceite, no fim de tudo, irá perceber que cresceu.


quarta-feira, 28 de março de 2012

The Hardest Button To Button




Música:  The Hardest Button To Button - The White Stripes

Fiz com carinho,é meu novo filho, mostro pra todo mundo que conheço e até mesmo gente que nunca conversei direito, haha.

Assistam.